segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

SUBJETIVISMO MORAL, OBJETIVISMO MORAL E RELATIVISMO CULTURAL

O PROBLEMA DA OBJETIVIDADE DOS JUÍZOS DE VALOR

INTRODUÇÃO ÀS TRÊS TEORIAS
1.Subjetivismo moral
 2.Relativismo cultural
                                                    3.Objetivismo moral

UMA PRÁTICA OU COSTUME
Em certas zonas do Irão as mulheres adúlteras são apedrejadas até à morte.
Sobre esta prática formulam-se dois juízos de valor:
1. “Apedrejar mulheres adúlteras até à morte é moralmente correto(certo)”.
Quem está de acordo com este juízo ou avaliação, afirma que é verdade que apedrejar mulheres adúlteras até à morte é moralmente correto. Por outras palavras, diz que o juízo 1. é verdadeiro.

2. “Apedrejar mulheres adúlteras até à morte é moralmente incorreto(errado)”.
Quem está de acordo com este juízo ou avaliação, afirma que é falso que apedrejar mulheres adúlteras até à morte seja moralmente correto. Por outras palavras, diz que o juízo 1. é falso.

A posição do subjetivista moral
O subjetivista moral dirá que a verdade ou falsidade daqueles juízos depende exclusivamente dos sentimentos de cada pessoa. Se eu sinto que é reprovável apedrejar mulheres até à morte, então será falso o juízo  “Apedrejar mulheres adúlteras até à morte é moralmente correto(certo)”.
Se experimentar um sentimento de aprovação perante tal prática então será verdadeiro o juízo “Apedrejar mulheres adúlteras até à morte é moralmente correto(certo)”.
Assim, a verdade ou falsidade dos juízos morais varia conforme os sentimentos que experimentamos. Não há juízos morais objetivos. Todos os juízos morais são relativos aos sentimentos dos sujeitos que os emitem. São subjetivos.
Se uma prática ou costume desperta em mim um sentimento de reprovação (“Sinto que é errado fazer isto”) então essa prática é censurável. Se desperta em mim um sentimento de aprovação(“sinto que é correto fazer isto”) então essa prática é moralmente correta. Cada indivíduo é, para o subjetivista moral, a autoridade suprema em questões morais e ninguém tem o direito de lhe dar “lições de moral”.
A cada um a sua verdade. Eu não estou errado e tu não estás errado mesmo quando avaliamos de modo oposto. Temos simplesmente sentimentos diferentes.  Se quando avaliamos composições musicais, pinturas e esculturas dizemos que “gostos não se discutem”, no que respeita a assuntos morais devemos, na perspetiva subjetivista, dizer que sentimentos não se discutem.

A posição do relativista cultural

O relativista cultural defende que a moralidade ou imoralidade de uma certa prática ou costume depende do que uma dada sociedade aprova ou desaprova.
Se aprova um dado costume, então este é moralmente correto (certo).
Se a sociedade A aprova o apedrejamento de mulheres até à morte, então será verdadeiro o juízo  “Apedrejar mulheres adúlteras até à morte é moralmente correto(certo)”.

Se não aprova então este é moralmente incorreto (errado).
Se a sociedade A reprova o apedrejamento de mulheres até à morte, então será falso o juízo “Apedrejar mulheres adúlteras até à morte é moralmente correto(certo)”.

Quando aqui se fala em sociedade fala-se da maioria dos membros que a compõem.
A tese ou ideia central do relativismo cultural pode ser descrita desta forma:
Moralmente correto é igual a socialmente aprovado pela maioria dos membros de uma dada sociedade.
«X é moralmente correto» significa «A maioria dos membros da sociedade A aprova X».
Moralmente incorreto é igual a socialmente desaprovado pela maioria dos membros de uma dada sociedade.
«X é moralmente errado» significa «A maioria dos membros da sociedade A reprova X».
Assim, a verdade ou falsidade dos juízos morais varia conforme o que cada sociedade considera certo ou errado. Umas sociedades aprovam ou consideram certo o que outras reprovam ou consideram errado. Não há juízos morais objetivos. Todos os juízos morais são relativos aos padrões culturais(modos de pensar e de sentir dominantes) da maioria dos membros de uma sociedade. São culturalmente relativos.
Cada sociedade é, para o relativista cultural, a autoridade suprema em questões morais e nenhuma sociedade tem o direito de dar “lições de moral” a outra. Podem divergir sobre o que é certo e errado mas nenhuma sociedade pode legitimamente dizer a outra “Nós é que temos razão. Vocês estão errados.” Há que respeitar as diferenças. Nenhuma sociedade é melhor do que outra em termos morais.

A posição do objetivista moral

O objetivista moral defende que a moralidade ou imoralidade de uma certa prática ou costume não depende nem de sentimentos pessoais nem do que uma dada sociedade aprova ou desaprova.
Há tradições, hábitos e costumes que são objetivamente errados. Nem tudo depende dos sentimentos e preferências individuais ou das convenções de uma sociedade. É o caso, por exemplo, da morte de pessoas adúlteras por apedrejamento.
O juízo “Apedrejar mulheres adúlteras até à morte é moralmente incorreto(errado)” é verdadeiro e objetivo. Este costume é errado em si mesmo, objetivamente errado.
Há verdades morais universais. As verdades morais são independentes de qualquer ponto de vista particular seja ele o de um indivíduo ou o de uma sociedade.
O racismo, para dar mais um exemplo, é objetivamente errado, isto é, não se trata de uma questão de opinião ou ponto de vista. Quem pensar o contrário está errado.

Para o objetivista,podemos encontrar critérios transubjetivos e transculturais de avaliação, que ultrapassam as perspetivas individuais ou culturais. Mediante esses critérios é possível avaliar imparcialmente a moralidade de costumes e práticas. No caso do apedrejamento, uma avaliação imparcial e racional concluirá que se trata de uma prática injusta que nenhum indivíduo nem nenhuma sociedade deve admitir e tolerar.










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